BRINQUEDOS MOÇAMBICANOS II (CARRINHAS DE LATA E ARAME)

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Un grupo de los pequeños elaborando sus coches

Un grupo de los pequeños elaborando sus coches (Foto P. Joaquín)

No mês passado mostrávamos-vos nesta secção de brinquedos os papagaios, neste mês o tema são as carinhas feitas a mão.

Há um refrão de sabedoria popular que diz: “a necessidade faz aumentar o engenho” vemos que isto com as crianças, a necessidade de brincar faz que aumente neles a imaginação e a capacidade criativa.

Tenho visto no Lar diversos tipos de carinhas, os mais comuns, sempre segundo as épocas foram de três tipos.

As primeiras carrinhas que me lembro de ter visto estavam feitas com “matope” (argila) cor de cinza fácil de apanhar na zona da “machamba” (horta). As varandas eram o lugar para as corridas, carrinhas sem rodas, com a base da carrinha lisa e uma corda amarrada às janelas do motorista ou mesmo no “motor”.

Samuel y Sábado construyendo sus coches al atardecer (Foto de P. Joaquín)

Samuel y Sábado construyendo sus coches al atardecer (Foto de P. Joaquín)

Outros brinquedos para correr com eles, muito mais rústicos, que não sei se elevar à categoria de carrinhas, são aquelas feitas com qualquer caixa, garrafa ou rolha branca. Estes podem ter tracção dianteira (aqui estamos a falar da famosa corda com que se amarravam o carros de “matope”) ou traseira, nestes modelos é mais habitual, é dizer, puxam-se com um bambu posto no meio “do chassis”.

Depois temos a “categoria rainha”, as carrinhas feitas de arame, borrachas e latas, são as que estão agora “de moda”, algumas são autênticas obras de arte, engenho (dizer engenharia pode resultar um pouco exagerado) e imaginação. O mais interessante é pode-las apreciar ao vivo, ou, se não se tem a oportunidade, ver as fotografias, mas não são sempre um reflexo fiel da realidade. Com uns arames, eu não sei muito bem onde os apanham, umas borrachas (para unir os diversos arames que mostram o perfil do carro, camião, carrinha ou viatura similar), geralmente de pneu de bicicleta, que pode-se comprar nas bancas da zona ou apanhar qualquer pedaço solto, mas serve igualmente para esta finalidade outro arame mais maleável ou mesmo corda, após unir os arames dá de pôr no lugar dos pneus umas latas e… segundo a imaginação do engenheiro podemos acrescentar com outros elementos. Estes modelos habitualmente são de “tracção traseira” pois se puxa com um bambu, que faz as vezes de volante e muitas vezes com forma de volante! Feito com…? Evidentemente! Com arame!

Preparando un camión (Foto de P. Joaquín)

Preparando un camión (Foto de P. Joaquín)

O primeiro é apanhar as latas, cortam-se pelo meio e juntam-se, de modo que fiquem a ambos os lados do “pneu” o furo na parte (inferior) da lata que não se abriu para tirar o conteúdo. Assim, sem mais, ficam unidas, não precisam de ser coladas, uma metade encaixa dentro da outra. Nas rodas está o segredo do barulho da carrinha, se gostamos de carrinhas muito barulhentas vamos juntar duas latas de diverso tamanho, ao “dançar” uma dentro da outra conseguimos o barulho suficiente para não ter que precisar de imitador a pilhas do som do motor.

Depois está o tema do tamanho, dos eixos, fabricados com arame e dobrados de jeito que não possam escapar as rodas, se leva reboque…

Aqui temos uma grande variedade. O mais simples é a versão “monociclo”, ainda que não tenha pedais. É uma única roda (as duas latas juntas, como já temos dito) com seu arame amarrado a um bambu.

El más joven del hogar con su vehículo de creación casera (Foto P. Carlos)

El más joven del hogar con su vehículo de creación casera (Foto P. Carlos)

Com dois eixos temos a versão “mota”, duas rodas em linha, uma diante da outra (ainda que poderia se pôr em paralelo, mas isso não seria uma mota), quando vi as primeiras pensei que puderam servir de inspiração para um dos filmes de Batman, pois o protagonista tem uma mota baixinha mas com umas rodas largas como as de um camião ou até mais.

Um pouco mais à frente temos os “quatro rodas” (com três rodas, não me lembro de ter visto): carros e camiões com dois ou mais eixos, com ou sem reboque, mas com uma cabina bem grande.

Los pequeños nos muestran sus juguetes (Foto P. Carlos)

Los pequeños nos muestran sus juguetes (Foto P. Carlos)

O mesmo que foi dito dos papagaios acontece com as carrinhas, todo o material é reciclado ou “de refugo”, assim que para estes brinquedos não temos que nos preocupar excessivamente da economia. Se olhamos bem podemos até dizer: certo, são muito económicas mas estragam-se rápido, e é isto um verdadeiro problema? Temos a dupla opção: arranjar a carrinha ou fazer uma nova. São, então, dois jogos: um de construção (criação do protótipo, que geralmente é irrepetível) e outro de “passeio” ou de “corridas” (sozinho ou competindo com os outros, não se fazem para expô-las).

Ainda fico admirado da tamanha imaginação e do pouco que precisam estas crianças para brincar, olhando nos anos da minha infância… Não tinha eu minhas carrinhas, vestidos, armas… imaginárias? Certo que as tinha! Com umas madeira em cores que tínhamos na casa podíamos fazer corridas de carros, que podiam até voar! ou qualquer outro meio de transporto, para construírem casas, para fazer equilíbrios… Será necessário hoje “fazer equilíbrios” por parte dos adultos para conseguir um brinquedo atraente para uma criancinha? Não há de ter ela capacidade inventiva? Certo que a tem! As vezes fomentada, outras vezes de jeito espontâneo o inesperado, pois qualquer brinquedo, ainda seja muito sofisticado, só terá vida quando a entregue a imaginação de aquele que o usa.

Un paseo con el coche (Foto de P. Joaquín)

Un paseo con el coche por los alrededores del Hogar (Foto de P. Joaquín)

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