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No Lar de São Jerónimo já temos vacas!

«As vacas da aldeia já se “escaparam”», dizia uma canção espanhola. Assim, começamos com as nossas vacas. A alguns dos nossos amigos já chegou a notícia de que no Lar de São Jerónimo, já temos vacas! E são de verdade! Era, primeiro, uma ideia, depois uma intenção, mais tarde um compromisso, pois havia pessoas que se tinham oferecido a financiá-las, muito obrigados! e finalmente uma realidade que, por diversos motivos, demorou mais tempo do que previsto.

Café e Canela antes de descer do camião / Lar São Jerónimo

Café e Canela antes de descer do camião / Lar São Jerónimo

No dia 13 de Abril, sábado, à tardinha apareceu um camião da Associação Esmabama com o primeiro par de gado bovino que entrava neste recinto. Provinham de Barada, onde começaram a trabalhar os primeiros padres somascos que residiram em Moçambique. Nem sabíamos o que fazer. Tínhamos um cercado com porta, mas sem estar acabado, e tínhamos de translada-lo até lá. Umas canas de bambu os tinham protegido na viagem, e colocando umas tábuas para superar o desnível do camião desciam os animais. Era mesmo um espetáculo! Nesse dia não havia muita gente, algumas crianças tinham saído e aqueles que estavam em casa misturavam-se com os que não perdiam pitada, mas mantinham-se à distância “não fosse acontecer alguma coisa”. Os que gostavam mais de aventura lançaram-se para ver se podiam ajudar e ver de perto esses “bichos” tão grandes.

Os animais desceram do camião com bastante tranquilidade e não deram muitos problemas, mas custava seguir o seu passo. Porém, pouco tempo depois, já ao cair da noite, os guardas e algumas das crianças vieram dizer-nos que as vacas estão a passear “fora da sua casa”. E que fazer? Encontraram a parte que não estava terminada, pelo que metê-las dentro outra vez não iria servir de muito, diziam-nos. Decidimos colocá-las onde as cabras pernoitam, um sítio fechado, mais protegido, e tínhamos que levar o gado caprino para outro sítio mais pequeno, neste caso à coelheira.

Canela e Café numa das suas  “escapadelas”/ Lar São Jerónimo

Canela e Café numa das suas “escapadelas”/ Lar São Jerónimo

A primeira aventura foi mudar as cabras de sítio – já se sabe que são muito teimosas-, algumas com cordas, outras aos ombros (por vezes pareciam imagens de presépios) e não deram muitos problemas. A verdadeira aventura foi com os novos inquilinos, primeiro para encontrá-los, pois, ainda que sejam bem grandes não é fácil visualizá-los à noite, entre construções, arvores, erva alta e pouca iluminação. Uma vez encontradas fazer que avancem… também não foi difícil mas para onde! Viu-se logo que as vacas e as portas não combinam, especialmente se a portas forem estreitas. Lanternas, paus, não serviram para nada. Tivemos que desistir, riram-se de nós tudo quanto quiseram.

A primeira tarefa seria fechar bem a cerca e formar alguém devidamente na arte de criar gado bovino. Isso começou logo na segunda-feira. Bebida e comida não eram preocupação com bom terreno, erva pelos joelhos, e três lagoas.

Lua e Cometa, fora do recinto, o dia depois de chegar / Lar São Jerónimo

Lua e Cometa, fora do recinto, o dia depois de chegar / Lar São Jerónimo

Mês e meio depois, no dia 27 de maio, procuramos vitelas de leite, as primeiras eram para carne, mais vacas que vitelas. As leiteiras eram mesmo vitelinhas, ainda não fizeram um ano , que farão no próximo mês de Julho. Duas fêmeas bicolores, pretas com manchas brancas. Estas puderam ser carregadas no nosso carro, ataram-se bem as patas e ao próprio “pick-up” – como chamam aos carros com a bagageira descoberta  – para evitar que se pudessem levantar, no percurso entre o Lar e a quinta da proveniência .

Cometa e Lua com os pássaros que costumam acompanhar as vacas   / Lar São Jerónimo

Cometa e Lua com os pássaros que costumam acompanhar as vacas / Lar São Jerónimo

Também estas tiveram sua escapada na primeira noite, não tendo dado dado problemas ao regressar à cerca: já tínhamos mais experiencia, são mais dóceis e tinham as mais velhas á sua espera . O problema aqui é que as medidas de segurança “anti-fuga” estavam preparadas para as outras duas, que duplicavam em peso e tamanho. Assim, no dia seguinte tivemos que reduzir certos espaços e mesmo assim uma delas voltou no dia seguinte a andar por aí à solta. Por onde sairia agora? Não o soubemos mas no dia seguinte ouvia-se mugir ao pé da capela , quando começava a Missa, foi difícil perceber, mas entre fechar espaços e elas habituar-se à sua nova casa , lá conseguimos que se mantivessem na cerca.

As primeiras são macho e fêmea, Café e Canela, respetivamente, são os seus nomes, inspirados na sua cor de pelo; são de raça Brahma. As duas leiteiras são de uma raça holandesa ( que ainda não sabemos muito bem qual é) . Os nomes: Lua e Cometa.

Café e Canela “na Zona do banho” /Lar São Jerónimo

Café e Canela “na Zona do banho”/Lar São Jerónimo

A mais rebelde é a Canela, demorámos três manhãs, para que entrasse no corredor da “ducha“, essa foi mesmo uma aventura digna de ser gravada num vídeo. Menos mal que ninguém gravou! Café não deu tanta maçada, custou um pouco, mas, logo no primeiro dia e com umas quantas corridas, recebeu a primeira ducha de desparasitação , que se tem de repetir cada 15 dias.  Com um pequeno curral que fizemos em forma de funil, o trabalho é mais fácil, ainda que a Canela continue a ser muita … Canela. As pequenas Lua, sempre mais inquieta e aventureira, e Cometa, com voz mais quebrada e diria mesmo ( se os músicos não se escandalizaram… ) mais desafinada, não nos dão muitos problemas neste aspeto.

A família completa: Café, Canela, Lua e Cometa (da esquerda à direita)  / Lar São Jerónimo

A família completa: Café, Canela, Lua e Cometa (da esquerda à direita) / Lar São Jerónimo

O resto do gado segue o seu curso. Agora estamos a preparar uma zona fechada paras as cabras, que estão a destroçar todas as plantas que estão ao seu alcance e, com as primeiras plantações nas hortas, não podemos deixar estas ”devoradoras” à solta.
Temos como objetivo aumentar o gado bovino, ainda que, pouco a pouco, de acordo com o seu ritmo próprio e vendo como evolucionam. Não comentamos, ainda, nem neste artigo, nem no anterior nada sobre os “melhores amigos do homem” que é uma maneira de denominar os cães. Reduziu-se consideravelmente o seu número, e não apenas na nossa casa, é uma questão bastante (por não dizer muito) estendida na zona, outra doença que está a dizimar a população animal, neste caso, a canina.

Foto de arquivo, antes da população canina ter sido dizimada.  / P. José Antonio, crs

Foto de arquivo, antes da população canina ter sido dizimada. / P. José Antonio, crs

Notícia de última hora! Já tivemos as primeiras jornadas de pesca em larga escala no nosso viveiro de peixe. Ainda que tivessem pescado poucos peixes-gato, que são maiores, houve uma pesca abundante de peixes “macacana”, mais de cem e cozinharam-se em molho de tomate (tal como se costuma fazer na maioria dos casos nesta casa) que, acompanhados de  arroz, foi mesmo um bom jantar. Nas imagens colocamos 4 momentos das primeiras técnicas de pesca. As técnicas mais sofisticadas que levaram à “pesca abundante” ficam em segredo, pelo que não podemos oferecer imagens .

Quatro momentos das primeiras técnicas de pesca. /  Lar São Jerónimo

Quatro momentos das primeiras técnicas de pesca. / Lar São Jerónimo

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Le tre visite

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Abbiamo già parlato in occasioni  precedenti di visite al nostro Centro, alcune delle quali  erano “ufficiali”, da parte di personalità di un certo calibro in differenti settori: politica, educazione, finanza… Questa volta parleremo di tre visite: una simbolica, un’altra spirituale, e una terza fisica.

Bienvenida a la Semana Santa (Foto: Lar São Jerónimo)

Inizio della  Settimana Santa (Foto:  Lar São Jerónimo)

La vista simbolica è stata quella della cicogna.  Da alcuni mesi abbiamo degli abitanti “suini” nella nostra opera, come parte del progetto agricolo e di allevamento,  un settore che si sta progressivamente  ampliando.  Il giorno 6 marzo abbiamo avuto le prime nascite:  7 maialini ( di cui 6 macchiati e uno con una zampa nera ed il corpo dello  stesso colore): ce li ha portati la cicogna degli animali!

La madre con sus crias (Foto: Lar São Jerónimo)

La madre con  i suoi neonati (Foto:  Lar São Jerónimo)

Sono già stati vaccinati una prima volta e,  con poco più di un mese di vita, godono di ottima salute. Intendiamo ampliare questo settore (la fattoria), che contribuirebbe molto a migliorare l’ alimentazione (soprattutto per l’ aspetto delle proteine) e a progredire verso l’ obiettivo – ancora un po’ lontano –  dell’ autofinanziamento.

Los que se van a bautizar precedidos de las "dançarinas" (Foto: Lar São Jerónimo)

I candidati al battesimo, preceduti dalle “dançarinas”  (Foto:  Lar São Jerónimo)

Nuestros chavales con la vela del bautismo (Foto: Lar São Jerónimo)

I nostri ragazzi con la candela del battesimo   (Foto:  Lar São Jerónimo)

La visita spirituale è stata lo Spirito Santo, con i battesimi durante la Veglia Pasquale.

El Domingo de Ramos en la capilla (Foto: Lar São Jerónimo)

La Domenica delle Palme nella cappella  (Foto Lar São Jerónimo)

Nel corso della Veglia, la quale, anche se svolta durante la notte, non è stata per niente fresca, dieci ragazzi del Centro  hanno ricevuto l’ “acqua e lo Spirito Santo”.  Avevamo iniziato le celebrazioni la domenica precedente (Domenica delle Palme) con rami di palma portati  in mano o appesi  alle pareti,  alle porte e finestre della cappella,  come si può vedere in alcune foto.Momento del bautismo (Foto: Lar São Jerónimo)

Momento del battesimo (Foto:  Lar São Jerónimo)

Una celebrazione festosa, durante la quale i più piccoli hanno approfittato del tempo della messa per intrecciare le loro fronde di palma.

E’ interessante notare la quantità di usi che si  possono fare con i rami di palma : ceste, tetti, e …persino, eliminando le foglie, come attrezzo per rimestare  il cibo quando viene cotto in  recipienti grandi (persino in  bidoni !).

Niños... y mayores en misa (Foto: Lar São Jerónimo)

Bambini… e adulti durante la messa (Foto:  Lar São Jerónimo)

Recibiendo las ofertas (Foto: Lar São Jerónimo)

Ricevendo le offerte  (Foto:  Lar São Jerónimo)

La visita fisica è stata quella del nuovo vescovo, Mons. João Carlos Hatoa Nunes, il quale , nato a Beira nel mitico ’68,  ha però da tempo tenuto la residenza nella capitale, Maputo.  La visita è stata organizzata più per coloro che abitano e studiano qui nel Centro che per le persone  che vengono a pregare alla domenica o che partecipano al catechismo del sabado.  Il vescovo è  arrivato poco prima delle 9 ed è stato ricevuto dai due  “padri” che sono attualmente al Centro.  Senza tante cerimonie si è diretto alla sacrestia per iniziare la messa:  danze, canti accompagnati da tamburi,  cembali (chiamati “gojos” nella lingua locale) e persino una tastiera hanno contribuito a dare più risalto e gioia alla celebrazione.

Degno di nota nel numero delle offerte è stato la sedia solenne allestita dagli alunni del Centro di Formazione Professionale;   il telaio era stato eseguito dagli studenti del Corso di Saldatura, i quali pure hanno offerto al vescovo un secchio da loro costruito;  i braccioli e i sedili sono stati opera degli studenti dei laboratori di Falegnameria e di Cucito).

Los niños también plantaron su acacia (Foto: Lar São Jerónimo)

Anche i bambini hanno piantato la loro acacia  (Foto: Lar São Jerónimo)

Rimaneva in sospeso una pizza che quelli della “culinaria” (corso di Cucina) stavano preparando per il pomeriggio.   A ciascuno era stato assegnato un compito:  il coro era formato dagli alunni della scuola professionale (soprattutto le donne), le danzatrici  erano bambine e ragazze della Comunità cristiana.

Letture e  preghiere di intercessione sono state affidate ai ragazzi del Lar ed ai seminaristi;  i chierichetti sono stati i soliti, fedeli inservienti della domenica; all’ offertorio han partecipato… tutti quelli che han voluto.

Importante que no falte agua (Foto: Lar São Jerónino)

L’ importante è che non manchi l’ acqua (Foto:  Lar S.J.)

Successivamente ha avuto luogo la benedizione di tutte le apparecchiature, seguita dalla messa a dimora di un albero (un’ acacia), continuando una tradizione che  era stata introdotta in precedenti visite ufficiali.

Questa cerimonia ha preceduto la visita vera e propria a tutto il Centro, durante la quale il vescovo non ha cessato di far domande  e di offrire suggerimenti.  L’ incontro è terminato con il pranzo: quelli della casa come sempre  tutti insieme nel refettorio, accompagnati dagli ospiti d’ onore. Gli altri  invitati – studenti,  chierichetti…- han trovato posto nel corridoio e nelle aule della scuola. Il vescovo ha espresso apprezzamento ed ammirazione per l’ opera che stiamo portando avanti, ed ha ringraziato per il lavoro svolto..

Bendiciendo todo el Centro (Foto: Lar São Jerónimo)

Benedizione del Centro (Foto: Lar São Jerónimo)

Vogliamo  estendere il ringraziamento a tutti coloro che hanno (avete) reso possibile con il loro (vostro) aiuto che il  Centro sia una realtà che  sta andando avanti.

AS TRÊS VISITAS

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Em anteriores ocasiões falamos de visitas ao nosso Centro, algumas “oficiais”, de personalidades com responsabilidades em várias áreas: política, educação, finanças… Desta vez, falaremos de três visitas: uma simbólica, outra espiritual e, por último, uma visita física.Boas vindas à Semana Santa (Fotografia: Lar de São Jerónimo)
A visita simbólica foi a da cegonha. Desde há alguns meses que temos habitantes “suínos” na nossa obra, no âmbito agropecuário; um sector que pouco a pouco se vai ampliando. No dia 6 de março, tivemos o primeiro nascimento: a cegonha dos animais A mãe com os seus bebês (Fotografia: Lar de São Jerónimo) trouxe-nos 7 leitões (seis deles “manchados” e um com uma pata preta e o corpo inteiro da mesma cor). Já receberam a sua primeira vacina e, com pouco mais de um mês de idade, todos eles se encontram de boa saúde. Queremos ampliar este sector (pecuário), o que seria de grande ajuda para melhorar a alimentação (principalmente a nível protéico) e para fazer avançar o objectivo, ainda um pouco distante, do autofinanciamento.Os que vão ser baptizados precedidos das dançarinas (Fotografia: Lar de São Jerónimo)

A visita espiritual foi a do Espírito Santo. Dez crianças foram batizadas no Centro durante a Vigília Pascal, As nossas crianças com a vela do Baptismo (Fotografia: Lar de São Jerónimo)durante a noite – que não foi nada fresca – recebendo a “água e o Espírito Santo.” Começamos as comemorações da Semana Santa no Domingo de Ramos com palmas nas mãos e nas paredes, nas portas e nas janelas da capela, como se pode ver em alguma das fotografias. Domingo de Ramos na capela (Fotografia: Lar de São Jerónimo)Foi uma celebração festiva na qual os mais miúdos aproveitaram o tempo da missa para trançar as suas palmas. Momento do Baptismo (Fotografia: Lar de São Jerónimo)È interessante verificar a quantidade de objetos e de aplicações que lhes são dadas aos ramos da palmeira (servem para cestas, telhados… e até, removendo as folhas, como pau para misturar a comida quando feita em potes grandes (e às vezes em tambores).Chegada do bispo (Fotografia: Lar de São Jerónimo)
A visita física foi a do novo bispo, D. João Carlos Nunes Hatoa, que nasceu na Beira, no mítico ano 68, mas que, desde há anos, reside no Maputo. A visita foi organizada mais para aqueles que vivem e estudam aqui do que para aqueles que vêm rezar aos domingos ou vêm ao sábado à catequese. Chegou pouco antes das nove e foi recebido pelos dois “padres” que estamos agora aqui. Sem muita parafernália dirigiu-se à sacristia para iniciar a Missa:Miúdos... e crescidos na Missa (Fotografia: Lar de São Jerónimo) bailarinas, cantos acompanhados por tambores, maracas (aqui na língua local os chamam “gojos”) e até um órgão conferiam, se possível, um carácter mais vistoso e alegre à celebração. No ofertório destacou-se a cadeira preparada por alunos do Centro de Formação Profissional (a estrutura foi feita pelos alunos de soldadura (serralharia civil), que também lhe ofereceram um balde feito por eles; os braços e os assentos foram feitos pelos alunos da carpintaria e pelas alunas de costura), Recebendo as ofertas (Fotografia: Lar de São Jerónimo)ficando pendente uma pizza que seria preparada pelos alunos de culinária (cozinha) para a parte da tarde. Depois, distribuiu-se a cada sector uma tarefa: o coro foi formado pelos alunos da Formação Profissional (principalmente mulheres), as bailarinas, por meninas e jovens da Comunidade cristã, as leituras e oração dos fiéis pelos do Lar e pelos seminaristas, os acólitos pelos que habitualmente estão presentes aos domingo, ofertório… todos aqueles que  quiseram. Os miúdos também plantaram a sua acácia (Fotografia: Lar de São Jerónimo)Em seguida, procedeu à bênção de todas as instalações, com a plantação de uma árvore (uma acácia), seguindo a tradição de visitas anteriores, que abriu a visita propriamente dita de todo o Centro, É importante que a água não falte (Fotografia: Lar de São Jerónimo)durante a qual não parou de fazer sugestões e perguntas. Terminou-se o encontro com uma comida, com todos os da casa, como sempre, todos juntos no refeitório, onde fomos acompanhados dos convidados de honra, os outros convidados (alunos, acólitos…), como não tínhamos mais espaço, almoçaram no pátio e aulas da escola. O bispo ficou encantado e admirado com o trabalho que estamos a levar a cabo e agradeceu o trabalho feito.Abençoando todo o Centro (Fotografia: Lar de São Jerónimo) Agradecimentos que tornamos extensivo a todas que estão a fazer (fazeis) possível com a sua (vossa) ajuda que o Centro seja uma realidade em crescimento.

Las tres visitas

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En anteriores ocasiones hemos hablado de visitas en nuestro Centro, algunas “oficiales”, de personalidades de cierta responsabilidad en diversos ámbitos: política, educación, finazas… Esta vez hablaremos de tres visitas, una simbólica, otra espiritual y otra física.

Bienvenida a la Semana Santa (Foto: Lar São Jerónimo)

Bienvenida a la Semana Santa (Foto: Lar São Jerónimo)

La visita simbólica es de la cigüeña. Desde hace unos meses que tenemos habitantes “porcinos” en nuestra obra, dentro del ámbito agropecuario, un sector que se va poco a poco ampliando. El día 6 de marzo tuvimos los primeros nacimientos: 7 cerditos (6 de ellos “manchados” y uno de pata negra y todo el cuerpo del mismo color), nos los trajo la cigüeña de los animales.

La madre con sus crias (Foto: Lar São Jerónimo)

La madre con sus crías (Foto: Lar São Jerónimo)

Ya recibieron su primera vacuna y, con algo más de un mes de vida, gozan todos ellos de muy buena salud. Queremos ampliar este sector (granja), que ayudaría mucho a mejorar la alimentación (en el ámbito de proteínas principalmente) y avanzar en el ideal, todavía algo lejano, de la autofinanciación.

Los que se van a bautizar precedidos de las "dançarinas" (Foto: Lar São Jerónimo)

Los que se van a bautizar precedidos de las “dançarinas” (Foto: Lar São Jerónimo)

La visita espiritual es el Espíritu Santo. Bautizos enla Vigilia Pascual,

Nuestros chavales con la vela del bautismo (Foto: Lar São Jerónimo)

Nuestros chavales con la vela del bautismo (Foto: Lar São Jerónimo)

que aunque fue de noche no fue nada de fresca, diez chavales del Centro recibieron “el agua y el Espíritu Santo”. Comenzábamos las celebraciones el domingo anterior con los ramos de palmera en las manos y por las paredes, puertas y ventanas de la capilla como se puede ver en alguna fotografía.

El Domingo de Ramos en la capilla (Foto: Lar São Jerónimo)

El Domingo de Ramos en la capilla (Foto: Lar São Jerónimo)

Celebración festiva en la que los más pequeños aprovechan  veces el tiempo de la misa para trenzar sus ramos de palmera.

Momento del bautismo (Foto: Lar São Jerónimo)

Momento del bautismo (Foto: Lar São Jerónimo)

Es interesante la cantidad de objetos y de usos que se les da (cestos, para tejados…, y hasta, quitando las hojas, como palo para remover la comida cuando es en o llas grandes (y hasta en bidones).

Llegada del obispo (Foto: Lar São Jerónimo)

Llegada del obispo (Foto: Lar São Jerónimo)

La visita física fue del nuevo obispo, D. João Carlos Hatoa Nunes quien, por cierto, nació en Beira, en el mítico año 68, aunque desde hace años estaba residiendo en la capital, Maputo. La vistita se organizó más para los que viven y estudian aquí que para los que vienen a rezar los domingos o a catequesis los sábados. Poco antes de las nueve hacía su aparición y le recibíamos los dos “padres” que actualmente estamos aquí. Sin mucha parafernalia se dirigió a la sacristía para

Niños... y mayores en misa (Foto: Lar São Jerónimo)

Niños… y mayores en misa (Foto: Lar São Jerónimo)

empezar con la misa: bailarinas, cantos acompañados de tambores, maracas y hasta de un órgano daban más vistosidad y alegría si cabe a la celebración.

A destacar entre las ofrendas el sillón que le regalaron preparado por los alumnos del Centro de Formación Profesional (el armazón los herreros, que también le ofrecieron un cubo hecho por ellos, y los reposabrazos y asientos los de carpintería y las de costura),

Recibiendo las ofertas (Foto: Lar São Jerónimo)

Recibiendo las ofertas (Foto: Lar São Jerónimo)

quedó pendiente una pizza que prepararían los de culinaria (cocina) para la tarde. Ahí se distribuyó a cada sector una tarea: el coro lo formaron alumnos dela Formación Profesional (principalmente mujeres), las bailarinas fueron niñas y jóvenes de la Comunidad cristiana,

lecturas y peticiones al cargo de los del Hogar y seminaristas, monaguillos los de los domingos, ofertorio… todo el que quiso.

Los niños también plantaron su acacia (Foto: Lar São Jerónimo)

Los niños también plantaron su acacia (Foto: Lar São Jerónimo)

Después hubo la bendición de todas las instalaciones con posterior

plantación de árbol (una acacia),

siguiendo la tradición de anteriores visitas institucionales,

Importante que no falte agua (Foto: Lar São Jerónino)

Importante que no falte agua (Foto: Lar São Jerónino)

que precedió la visita más propiamente dicha de todo el Centro, en la que no paró de hacer preguntas y sugerencia. Terminó el encuentro con la comida, los de la casa como siempre, todos juntos en el comedor acompañados de los invitados de honor, el resto de invitados: alumnos, monaguillos… en el patio y aulas de la escuela. Se fue encantado, admirado de la obra que estamos llevando a cabo y agradeció la labor desempeñada.

Bendiciendo todo el Centro (Foto: Lar São Jerónimo)

Bendiciendo todo el Centro (Foto: Lar São Jerónimo)

Un agradecimiento que extendemos a tantos que han hecho y hacen (hacéis) posible con su (vuestra) ayuda que esto sea una realidad que va adelante.

JUGUETES MOZAMBIQUEÑOS I (LAS COMETAS)

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Lo prometido es deuda, y aquí mismo la vamos a pagar. Anunciábamos en el último artículo, el primero en portugués (y también en italiano), que en este os daríamos a conocer algunos juegos y juguetes con los que se divierten los niños de nuestro Hogar.

Y sin juguetes... igualmente se divierten y juegan

La mayoría de los juegos que vemos en el Hogar y en la zona son con lo en algún lugar llaman “material de desecho”, es decir materiales que te puedes encontrar sin tener que hacer gasto extra, además del “truque”, “rayuela” o otras denominaciones, del que se habló, imagen incluida, tiempo atrás, vamos a presentar algunos juguetes realizados en el centro.

Como acontece, creo, en todo el mundo, cada juego tiene su momento, van por modas, algunos son cíclicos y propios de una época determinada del año. Recuerdo que en Galicia estaba el refrán “por san Martiño, trompos no camiño”, es decir que alrededor de la festividad de san Martín (11 de noviembre) era muy frecuente ver a los niños jugar con los “trompos”, “peonzas” o “peones” (en cada zona es conocido por un nombre).

Uno de los juguetes que más me llamó la atención es la fabricación de las cometas, quizá porque ha sido una experiencia vivida en la infancia, aunque sin gran éxito. Aquí cualquier crío es capaz de construir una comenta con una bolsa de plástico, un par de palos o cañas y pocos metros de cuerda de plástico, o incluso con un saco roto de harina o hasta una cinta vieja de casete. Lo realmente increíble es que ¡vuelan!

Albino e Ivan volando una comenta

Ivan y Albino volando una cometa de fabricacion casera

La fase de los palos y la bolsa la tengo superada o la superé alguna que otra vez de pequeño, pero lo de conseguir que volase… eso era otra historia, parece que pesaba mucho, pues sí conseguía que volase alguna cometa que había sido comprada en una juguetería, bastaba una pequeña carrera para que remontase. Aquí tienen tanta maña que hasta sin correr las hacen volar, algunas de tamaño “normal”, lo que es una bolsa de la compra (que suelen ser bastantes ligeras) de cualquier tienda o supermercado, o versión mini, he visto una que, creo, no pasaba de los 20 centímetros el lado más largo. Los más artistas cortan la bolsa para que el nombre de la tienda quede bien colocado, normalmente en el centro, otros, menos preocupados con la estética… mientras que vuele, es suficiente. También tienen cola, con lo que sobra del otro lado de la bolsa se hace la cola, se anudan varias tiras… y ya está, si quieres que sea más llamativa: búscate bolsa de otro color. Con las cometas cuadradas, otros de mis descubrimientos, se puede hacer que vuelen con dos lados en paralelo al suelo, basta con atar dos puntas (vértices del cuadrado) consecutivas a la cometa.

Para atar los palos, que puede ser cualquier caña, y el plástico a dichos palos… cualquier cosa vale: algo de cuerda, un trocito de bolsa y hasta un poco de alambre, si tienes suerte y algo de dinero puedes usar celofán.

Una mini-cometa (el pie es de un niño de 6 años)

Una mini-cometa (el pie es de un niño de 6 años)

Por último la cuerda. Los más afortunados o “acaudalados” ponen sedal, los que no lo consiguen… se buscan otro sistema: hilo, la propia cinta de un casete viejo que te encuentres, basta con romper el plástico que la protege, que tampoco hay cinta…, pues un saco de plástico, se deshacen las tiras y se atan unas a otras, que tampoco hay saco… pues algún trozo de cuerda, se deshilacha y… lo mismo que con las tiras del saco; según se va preparando se enrollan a otro palo más gordo y ya está, esperar que haya un poco de aire… ¡Y a volar!

De la pesadilla al sueño, crianças en el Lar São Jerónimo (Parte 1)

Esta semana será publicado en el Diario de Moçambique, uno de los periódicos más importantes del país, el presente reportaje escrito por nuestro voluntario Moncho Torres (debido a su extensión saldrá en la web en dos partes)

“Un hombre pidió dinero a mi madre y como mi madre no se lo dio, el hombre comenzó a golpearla. Entonces empezó a salir sangre de la cabeza de mi madre y después murió”. Así comienza la historia de Luis (ningún nombre en este reportaje es real, para proteger la intimidad de los menores), uno de los jóvenes acogidos en el Lar Saõ Jerónimo. Tiene 15 años. Es callado, tímido, escondido siempre bajo una coraza que lo separa del mundo exterior. Luis, después de vivir un tiempo con su abuela, se escapó de casa y empezó a frecuentar la calle. Allí pedía limosna, vendía artículos por unos pocos meticales y dormía en tiendas vacías.  “En la calle comenzó a hincharme la barriga y enfermé –dice-. Entonces me encontró Acción Social y me llevó a un centro y después aquí”, concluye.

África, un continente mágico: repleto de ritmo, bailes, música; de una risa contagiosa,  de crianças, caminos; tierra espiritual, de la liberación, del despertar; donde la naturaleza se manifiesta con toda su fuerza: ríos,  Sol, fauna, selva.  África. Y, sin embargo, cuántas veces se revela el lado más negativo de toda su grandeza: hambrunas, guerras, enfermedades.

Llegué a Mozambique a través de la Congregación religiosa de los Padres Somascos. Los conocía desde hace tiempo, pues había estudiado en uno de sus colegios, y cuando me enteré de que tenían un orfanato en Beira les pedí si me permitirían viajar hasta aquí para colaborar con ellos. Aceptaron encantados. Y así fue como llegué, a comienzos de agosto, al Lar São Jerónimo en Inhamizua.

Niños en el Lar São Jerónimo / Moncho Torres

El Lar São Jerónimo, en funcionamiento desde 2008, acoge en estos momentos a 49 huérfanos (37 niños y 12 niñas). Toda la actividad, la energía que invade el centro con los juegos de los pequeños, resulta hipnótica, revitalizante, contagiosa. El orfanato, en un terreno de 20.000 m2 en la zona de Matadouro, se halla conformado por varias casas individuales (donde los niños se encuentran alojados por edades y las niñas están juntas), y comedor, salón multiusos, residencia de los Padres. Además, el deseo de abarcar todo lo relacionado con la infancia ha propiciado la existencia en el mismo lugar de aulas de alfabetización (tanto de jóvenes como adultos) y panadería,  agropecuaria y sastrería, con el fin de abastecer al centro y crear unos ingresos que les ayuden a ser autosuficientes. Y, como proyecto más inmediato, entrará pronto en funcionamiento el Centro de Formación Profesional Emiliani, donde se impartirán talleres de carpintería, confección, albañilería, mecánica, fontanería… En vistas a labrar un porvenir para estos y otros jóvenes en situación precaria.

“¿Tienes madre? ¿Y padre?”, solían preguntarme los más pequeños al poco tiempo de mi llegada. Para ellos, uno respuesta afirmativa suponía un hecho extraño, sorprendente, como si hubiera  dicho que había viajado en nave espacial y paseado por la Luna. De donde vengo, en España, la orfandad es la excepción. Aquí en Mozambique, sin embargo, según datos oficiales proporcionados por el Instituto Nacional de Estadística, no lo es tanto. Enfermedades como la malaria, tuberculosis y sobre todo el VIH – SIDA, agravan una situación ya de por sí precaria. Con una población de 20 millones de personas (el 42,7% menor de 14 años), el número de huérfanos en Mozambique cuyos padres murieron a causa del SIDA es de 557.000 (del total de algo más de 1.800.000 huérfanos que tiene el país, por lo que cerca del 20% de la infancia mozambiqueña es huérfana).

El almuerzo, a las 12, en el comedor del Lar / Moncho Torres

Horacio fue uno de los primeros jóvenes en ser acogidos en el Lar São Jerónimo. Es fuerte, responsable, y dice sentir una gran deuda con sus hermanos al estar disfrutando de la oportunidad de estudiar, de formarse, de ser alguien en la vida. Horacio es de Quelimane y tenía 7 años cuando, al morir su madre, llegó a la ciudad de Beira con sus tres hermanos. El mayor, a los 19 años, adquirió la responsabilidad de padre con los más pequeños. Trabajaban en lo que podían, pues como no tenían documentos, encontrar un lugar donde ganar un salario digno resultaba complicado: mientras los mayores trabajaban como peones de obra (700 Mt a la semana, unos 15 €), lo que les daba para ropa y comida, Horacio sacaba algún dinerillo vigilando coches en la Plaza del Municipio (donde le daban entre 10 y 15 Mt por coche, sobre 3 céntimos de euro). Dice que dormían en paseos, tiendas vacías, terrazas. “Dormía sobre cemento, con sacos. No te puedo mentir, así es como dormía”, me explica resignado.

Un día Horacio pidió dinero a dos Padres Somascos y éstos le explicaron que tenían intención de abrir un centro para menores. Entonces, como se mostró receptivo, los Padres enviaron a Acción Social a hablar con él.

El Lar São Jerónimo y Acción Social trabajan en concierto. Los Padres realizan el seguimiento de muchos de los niños de la calle y son ellos los que recomiendan a Acción Social que estudie el caso de alguno para su libre internamiento en el centro (por sorprendente que parezca, no son pocos los que rechazan la ayuda al haberse acostumbrado a la vida en la calle). En otras ocasiones, es la propia Acción Social la que envía al Lar São Jerónimo a los nuevos jóvenes. La prioridad es la búsqueda de la reinserción familiar.

En una ocasión, Horacio y otro joven del Lar me llevaron a la Baixa a conocer los lugares que habían frecuentado cuando vivían en la calle. Al primer lugar que me llevaron fue a la Praza do Municipio. Allí, como me habían explicado, era el lugar donde trataban de conseguir unas monedas vigilando o lavando coches, pidiendo limosna.

P. Joaquín y P. Pedro en el mercado de Beira con niños de la calle / Moncho Torres

Al llegar nos encontramos a varios conocidos suyos. “¿Ves a ese? Sólo tiene 20 años y mira como está”, me dijo Horacio. Sentado en un banco, inmóvil, bajo la sombra de un arbusto, se encontraba ese antiguo compañero al que la vida en la calle lo había aniquilado por completo: desaliñado, con barba, ojos vidriosos, apenas podía articular palabra. “Le gusta mucho beber”, me dijeron. También apareció otro joven, mucho más activo, descalzo. Pidió unas sandalias a Horacio porque las suyas se las habían robado mientras dormía. Horacio le dijo que lo sentía, pero que no tenía. Luego me dijeron: “Mira, está vigilando un coche y ahora acaban de llegar los dueños. Mira cómo le pagan”.

Lavando ropa (del voluntario Moncho Torres)

Llevo más de un mes en el Lar y hoy, por primera vez, he ido a lavar mi ropa. Nadie me ha obligado, podría haberlo hecho Dona Marta (una de las señoras que tienen trabajando en el centro y que realiza todo tipo de labores: desde lavar la ropa y limpiar, a ayudar en la cocina), pero como nunca sabes cuándo te será retornada debido al mucho trabajo que tienen (mi experiencia anterior fue la de tener que subsistir casi una semana con dos calzoncillos y dos pares de calcetines…), he preferido adelantarme. Pues eso, que me puse de lleno en el ‘fregao’, como hacían antes nuestros abuelos, con un caldero de agua y detergente de lavar a mano, a frotar y frotar. O no tan antes… Aún recuerdo en Segade, la pequeña aldea de la que procedo en Caldas de Reis (Pontevedra), cómo las mujeres iban todos los días a lavar la ropa al río, arrodilladas, frotando y refrotando en una piedra lisa colocada para ello.

Dona Marta y Dona Teresa, con la colada / Moncho Torres

El caso es que, al comenzar a lavar, uno de los niños, de 12 años, se me acercó un poco sorprendido. Le resultó extraño ver cómo lavaba yo mismo la ropa, realizando una labor destinada a los más jóvenes y a las mujeres. Superado el susto, me ofreció ayuda. Acepté encantado. Y así, como dos marujonas,  nos pasamos una hora de cháchara.

Hablamos un poco de todo. Primero de los estudios. Me dijo que iba en 7ª clase (7º de EGB, aún no me entero con lo de la ESO) y que le gustaba mucho estudiar. Según él,  solía sacar muy buenas notas. Sobre su preferencia entre letras o números, indiferente: “Me gustan las dos”. “¿Y qué quieres ser de mayor?”. “Doctor”, me respondió. Luego hubo preguntas sobre la duración de los estudios de Medicina. Al decirle que son unos 6 años de estudios, me dijo: “Eso está chupado”.

Angelina, una de las niñas del Lar, lavando / Moncho Torres

Después, hubo un rato de intercambio de castellano – portugués. “¿Qué es coche?” (palabra escuchada a los Padres del Lar). “Carro”, respondo. “¿Y esto?”, le pregunto señalando mi rodilla. “Joelho”. “Y comboio es tren”, me dice recordando una conversación anterior. “¿Y has subido alguna vez al tren?”, le pregunto. Y me responde que sí, que a visitar un pueblo a una hora de distancia, de excursión. “¿Y fuiste solo?”. “No, con mi madre.” Y se calló un momento, frotando con esmero una de mis camisetas. No supe si preguntar más, pero no sabía si, en su caso, internarlo en el centro había sido por muerte de los padres o por abandono.

– ¿Y dónde está ahora tu madre? ¿Está bien?

– No.

– ¿Enfermó?

– Sí.

Desconozco cuál fue el motivo, no insistí. Causas de muerte por enfermedad, en Mozambique, son muchas: malaria, tuberculosis y, sobre todo, el VIH-SIDA.

Lazos rojos recuerdan por doquier que nadie puede bajar la guardia frente al SIDA / M. Torres

En otra ocasión, este niño me había enseñado un examen de inglés (puntuación: 19 sobre 20). Cuál fue mi sorpresa al ver el uso que hacían de la problemática del VIH, como tema de fondo en las preguntas del examen, para concienciar al alumnado. Por ejemplo, debiendo indicar verdadero o falso, decían:

  • Cuando abrazas a un niño enfermo de VIH-SIDA te contagias.
  • Quien tiene muchos novios y novias tiene menos posibilidades de contraer el VIH-SIDA.
  • No se puede tocar la sangre de un infectado de VIH-SIDA.

Por cierto, mientras escribo, escucho el pitido de un tren al pasar. La vía se encuentra muy cerca y, por la noche, se puede ver cómo ilumina con poderío el camino a su paso.

João, lustrando sus zapatillas / Moncho Torres

Regresó a España, tema exótico y de mucho interés: “¿Y se podría ir en coche hasta España?”. “¿Desde aquí?”, pregunto. “Sí”. “Pues como poder, poder, sí se podría, aunque se tardaría mucho tiempo”. “¿Una semana?”. “No, unos 5 meses”. “¿Cuánto!”. No cabía en su cabeza que para ir a un lugar pudiese necesitarse tanto tiempo. “¿Pero no está en el norte de África?”. “Sí”. “¿Y para ir al norte de África se tarda tanto tiempo?”. “Es que África es muy grande”.  “¿Y en avión?”. “Un día”. “¿Y cuánta cuesta?”. “Mucho”.

Manuele, uno de los jóvenes del Lar, que se ha convertido en el nuevo jardinero / Moncho Torres

Silencio. Pregunto si en noviembre hará mucho calor. “No, no tanto”. “¿Y la lluvia, cuando llegará?”. “En octubre”, me dice, y se le ilumina el rosto. “¿Y en España llega la Navidad?”. “Sí, en diciembre, y hace mucho frío y nieva”. “¿Y os dan regalos?”. “Sí, nos los traen los Reyes Magos”.  “Ya sé, nos los dijo el Padre Pedro. A nosotros no nos llegan, si quieres un regalo hay que ir a comprarlo a la Baixa (centro de Beira)”. “¿Y por qué no llegan los Reyes Magos a Mozambique?”. “Padre nos dijo que estamos muy lejos, y que no les da tiempo a llegar hasta aquí”. “Claro, porque ellos van en, ¿cómo se dice en portugués? ¿Camelo?”. “Sí, camelo. Si vinieran en avión sería diferente”.

Mural de los Reyes Magos a su llegada a Belén (Iglesia de Nazaret, Beira) / Moncho Torres